A gente tenta fugir, ocupa a cabeça com todas as coisas que vê pela frente. A gente pensa no livro que leu há alguns anos atrás, ri das conversas que ouviu na rua, aluga filmes, não dispensa uma única noite com os amigos, vamos atrás de novas emoções, fazemos coisas que não tínhamos coragem de fazer antes... Procuramos toda e qualquer distração no mundo, mesmo que seja lixo ou superficial.
A gente dá um jeito, muitas vezes torto e cego, de não pensar naquilo que aperta nosso coração até nos faltar o ar. Mas é impossível fugir todo o tempo. Uma hora o problema nos encontra - em nosso momento mais vulnerável, nos joga no chão e dá uma cuspida no nosso rosto, só para mostrar quem é que manda.
Quando eu deito a cabeça no travesseiro e todas as porcarias que eu absorvi durante o dia vão embora, são os momentos com ele que vem me assombrar, que me fazem chorar.
Quando eu estava em um quarto desconhecido, tirando as calças com um amigo, a pulseira que ele me deu caiu do meu bolso, como se pudesse gritar: você nunca vai escapar.
Todas as músicas que eu sempre gostei e todas as que eu começo a gostar, todas parecem dizer algo que aconteceu quando ele estava aqui.
Ou quando estou em paz comigo mesma e me pego cantarolando 'sempre você e ninguém mais...'
O que a gente tem que fazer para parar de doer? Qual é a forma mais eficiente de se curar um broken heart? Quando é que a gente vai esquecer?
"Eu já ouvi cinquenta receitas pra te esquecer que só me lembram que nada vai resolver porque tudo, TUDO me trás você e eu já não tenho pra onde correr..."