16 anos. Segundo ano colegial. Longos cabelos ruivos. Boas amizades, boas baladas, boas notas, bons modos... que mais eu poderia querer, me diz?
Motivos a parte, naquele ano eu me isolara da "turma do fundo". Sentei-me na primeira carteira e fui perdendo o contato com as pessoas que me faziam bagunçar nas aulas devido a meu novo local na sala. Minha amiga fiel sentava-se ao meu lado, mas naquele dia ela faltou. Merda, estava sozinha (cosia que eu sempre temi). Aula de Filosofia. Tinha uma grande afinidade com o professor de filosofia e nós conversamos, contamos nossas 'coisas' um pro outro, fazemos piadas... tinhamos algumas liberdades extras um com o outro. Enfim, brinquei:
- Professor, a Letícia faltou. Me sinto incompleta, preciso dela!
- Acho que você precisa de um namorado...
- Mas ela É a minha namorada.
Rimos. Apesar da brincadeira e dos risos eu sabia que ele estava certo, que ele falou para que eu pensasse nisso. Ele sabia que eu era (e sou) incompleta. Quero dizer, eu tinha (e ainda tenho) amigos maravilhosos, fantásticos... ouso a chamá-los de perfeitos, meus pais, apesar de tudo, estão sempre a me mostrar o caminho certo e eu posso sempre contar com o sorriso de qualquer um dos meus parentes, mas eu precisava de mais.
Pergunto-me mil vezes (desde aquele dia, ainda não encontro respostas) porque eu tenho que ser tão sozinha, porque tenho tanto medo, porque não deixo que as pessoas alcancem meus sentimentos e quando alcançam pergunto-me porque não mostro isso a elas. Se eu não conseguir um dia me livrar de tudo isso, espero encontrar alguém forte o suficiente para passar por tudo isso, para segurar a minha mão independente do momento.
"In life's big parade I'm the loneliest spectator"