segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Reminiscências. IV

Seis e quinze da manhã. Sexta-feira. Eu estava na plataforma do metrô esperando o mesmo chegar. Era um pouco cedo para já estar na plataforma, mas nesse horário o metrô ainda não é insuportável.
Eu moro em uma estação terminal então, muitas vezes o metrô está chegando da estação vizinha, faz uma parada em nossa estação e volta para a estação da qual já tinha vindo e segue seu caminho. É óbvio que os moradores da estação vizinha se aproveitam do fato de que não teram que sair do metrô em nossa estação e então eles voltam um estação para seguirem sua 'viagem' sentados porque se não quem enche os assentos do metrô é as pessoas da minha estação. Eu, que sempre observava o metrô chegando já em velocidade reduzida, não pude deixar de notar uma figura masculina com cabelos lisos e escuros até os ombros com a cabeça apoiada no braço apoiado na janela. Fiquei olhando. O metrô freou, fazendo-o acordar.
Sinceramente, acho que aquela cena estava escrita nas estrelas. A posição do banco em que ele estava e a posição que eu estava na plataforma se encaixavam perfeitamente. Enquanto eu o observava, ele levantava a cabeça (como as pessoas fazem ao acordar) e os nossos olhos se encontraram. Entrei no metrô e o único lugar disponível era no banco mais próximo ao banco dele. Ficamos nos olhando... ele deveria ter uns 20 anos, a pele bem branca e lisa e... os olhos de esmeraldas. Por favor, não pense que eram meros olhos verdes... conheço muitas pessoas que possuem um belo par de olhos verdes, mas nenhum é como os olhos dele. Não me pergunte o porquê dele olhar para mim: eu estava de uniforme, mal maquiada, descabelada e de óculos... talvez fosse porque eu vidrei olhando para ele. Poucas cenas na minha vida serão tão bonitas ou aconteceram com a mesma harmonia do que esta.
Acordava todos os dias esperando vê-lo no metrô. "Vê-lo chegava a ser um prazer". Porém foram poucas as vezes que o vi de novo. Fantasiei por muito tempo uma infinidade de momentos meigos ao lado daquele rapaz e ainda entro no metrô esperando vê-lo, ainda que tenha quase certeza de que isso não acontecerá.
Meu primeiro amor (platônico) breve de metrô.