sábado, 4 de julho de 2009

Drunk On Shadows

- Wendi, vamos andar
- eeespera...
- Você não vai melhorar se não levantar a cabeça...
- Espera um pouco!
Mãos grandes e bem mais fortes que a minha puxaram minha cabeça para cima.
- Espera um pouco, POR FAVOR. Que saco!

Não sei o que eu estava pensando, mas eu estava pensando em algo e alguém atrapalhava minha linha de raciocínio. Eu sabia que não ia lembrar o que se passava pela minha cabeça naquele momento, eu sempre sei quando vou esquecer de algo. Minha testa começava a doer, era como se todo meu peso estivesse apoiado na parede, apenas pela minha testa. Queria ir pra casa, ver o mundo girando na minha cama, em baixo do meu cobertor. Quente. Queria alguém para me manter aquecida naquele momento.
Senti todo meu organismo subir e sair pela boca. A primeira gorfada. A vista embaçou, lágrimas nos meus olhos. Ouvi alguém dizer que eu ia melhorar, que era só colocar tudo pra fora que eu voltaria ao normal. Mais uma vez, outra gorfada. Fechei os olhos. Por que eu sou tão inconseqüente? Por que eu perco tanto o controle? A terceira e última gorfada, a mais fácil. Agora já podia enxergar perfeitamente bem, a cabeça já não era tão pesada, nada mais girava. Comecei a sorrir. Sou assim, as vezes abro sorrisos sem motivos. Ou talvez tenha pensado em alguma coisa que eu não lembro, não importa. Queria dormir, queria conseguir levantar dali e voltar para festa, queria qualquer coisa mais confortável ou divertida do que aquela situação.
Demorou algum tempo, mas criei coragem para sair dali. Levantei, andei. Pensei que fosse gorfar de novo, mas não. Andei mais um pouco. Alguém falou para me deixarem dormir no canto da quadra, que me faria melhor. Senti uma onde de alívio. Me levaram até o canto, outro amigo se encolhia tentando dormir. Frio. Nos abraçamos, meio sentados, meio deitados. Dormi. Dormimos. Sem me importar com o frio, como se aquele canto cheio de terra, areia ou seja lá o que fosse aquilo fosse o local mais confortável do mundo.

É, acordei melhor. Falante. Rindo. Fazendo Piada.
Talvez a vida seja assim, uma piada.