Estou no auge da minha inconstância, acho. É um nível tão elevado que penso que nunca, em hipótese alguma, devo me casar. Ok, eu sou MUITO nova para pensar em casamento ou até mesmo namorar, mas casar faz parte da vida... normalmente.
Posso me imaginar em uma vida de sucessos, com o marido perfeito, filhos adoráveis, uma casa luxuosa, empregados competentes e bem pagos... uma vida bem construída, dessas que todos os pais ficariam orgulhosos em ver seus filhos possuí-las. Me vejo como uma esposa dedicada, uma mãe carinhosa, uma pessoa gentil, sorridente... posso até me imaginar tendo modos, rindo baixo, bebendo com elegância...
Posso me imaginar acordando todos os dias para trabalhar, ver meu marido dormindo e abrir um pequeno sorriso, talvez um risinho abafado... Aí chega o momento em que eu levanto da cama, me arrumo para o trabalho, passo no quarto das crianças, dou beijinhos enquanto dormem (como se fosse um bom dia) e aí então começo o meu dia.
Mas não posso negar o resto das minhas imaginações, imagino que um dia, tão comum quanto os outros, irei acordar, sentar na cama, olhar para o meu marido perfeito e me perguntar: "O que eu fiz com a minha vida?", ou talvez respire fundo e sussurre: "Ai caralho...". Assustada, começo a tirar as malas do armário e jogar todas as minhas coisas dentro delas, sem qualquer organização, aí então eu saio da casa assustada deixando apenas um bilhete que diz que eu amo os meus filhos e que não estou lhes deixando para trás.
Daí então eu começo a ter aquela vida de solteiro de novo, meus filhos vivendo o que os filhos de pais separados vivem (ou pelo menos deveriam - duas semanas com o pai, duas com a mãe). Uma casa menos luxuosa, menos dinheiro para as diversões, tudo em troca da minha liberdade (liberdade é parcelada, ninguém é 100% livre, todos estamos presos em alguma coisa pelo simples fatos de sermos matéria). Passarei a vida toda me perguntando: Eu deveria ter ficado?
Não, não e não! Eu não poderia ter sempre o mesmo sentimento, eu não sou uma pessoa de certeza, consistente.