quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Educação Sentimental

Dizem que chorar faz bem, dizem que faz mal. Dizem que chorar lava a alma, dizem que chorar é sinal de fraqueza. Dizem que tem choro bom e choro ruim. Choro que alegra e choro que machuca.

Mas... até onde vão essas limitações? Como a gente sabe se está fazendo bem ou mal? Quando chega a hora de passar o braço pelos olhos e enxugar as lágrimas? Quanto tempo demora pra saber que já é o suficiente?

Pergunto porque tenho dúvida forte, persistente. Chorar para aliviar dores e emoções é algo bom, certo? Chorar todas as noites, por outro lado, é ruim... dizem. E eu me pergunto onde ficam as pessoas que choram todas as noites para aliviarem as dores e emoções, para conseguirem dormir.
Okay, muitos vão dizer que isso é algum tipo de depressão. A pessoa tem um problema, sabe que o tem e que ele machuca, mas não consegue deixá-lo para trás, superá-lo.
Mas o que acontece se a pessoa pensa em superar e sabe como o fazer, só que a ideia de colocar isso em prática a faz sentir-se traída por ela mesma?

Porque eu, eu estou bem. Feliz até. Mas tenho chorado todas as noites, para que algumas emoções não me sufoquem e eu possa dormir. E eu sei bem como acabar com as coisas que me fazem chorar, me conheço, sei como eu me curo, só que toda vez que eu penso "Vou deixar passar" a garganta dói e os olhos inundam e a dor não diminui, pelo contrário, só aumenta.

Quando a única coisa que nos coloca para baixo é exatamente a única coisa que nos anima, como a gente seria capaz de acabar com isso?


"A vida que me ensinaram como uma vida normal tinha trabalho, dinheiro, família, filhos e tal. Era tudo tão perfeito, se tudo fosse só isso. Mas isso é menos do que tudo, é menos do que eu preciso."




(sem tempo de revisar, ;*)