Eu tinha feito uma retrospectiva toda detalhada de 2009, mês a mês, mas um dia desses tive que ser secretária (bem incompetente, diga-se de passagem) do meu pai e acabei deletando a retrospectiva do meu pen-drive antes mesmo de editá-la. E com a minha mania de pensar demais em todas as coisas, cheguei a conclusão de que isso aconteceu porque 2009 foi tão cheio de detalhes que eu deveria deixá-los com o ano que acabou. Reflitam.
Fica aqui, no lugar da retrospectivas, uma lista de aprendizados!
Bom, 2009 foi um ano de auto-conhecimento, onde pude examinar bem onde acaba a "Wendi C. F." e começa a "Wendi Lickit" e qual eu prefiro que tome o controle em cada situação.
Descobri algo que influenciou na minha criação, que fez com que meus pais me fizessem crescer mais rápido, que eu jamais teria imaginado pois sempre tive a idéia ilusória de que amor de verdade é perfeito.
Em abril voltei a sair e, inclusive, aumentei a frequência das minhas saídas. Isso me fez aprender a não ser ingênua com as pessoas, tem muita gente falsa ao meu redor, gente que só quer saber de diversão, gente que esquece que pra achar a verdadeira essência é preciso algo mais. E no meio de toda diversão conheci um caminho que mataria qualquer pai de desgosto e não, eu não ignorei esse caminho, quis saber como é andar por ele, soube e posso dizer com toda a certeza que isso não vale nem um pouco a pena e que meu lugar não era ali.
Descobri uma parte de mim que eu não conhecia. Sempre achei que eu fosse uma pessoa fria em relação à garotos. Por mais que eu escrevesse coisas intensas sobre alguns deles eu jamais havia sentido-as daquela (exata) maneira. Eis que me aparece alguém que me fez ter certeza que eu poderia olhar todas as manhãs e sorrir assistindo-o dormir em baixo de lençóis claros numa manhã de sol. Adorei essa Wendi intensa, quente, talvez até grudenta e exagerada, mas adorei ainda mais o garoto que a fez surgir. Mas isso me fez ver que, definitivamente, as coisas fáceis não me agradam! Toda a distância, toda a dificuldade, tudo o que faz ser impossível tê-lo comigo faz eu sentir isso mais forte em mim, como se dissesse que eu posso (e devo) aguentar mais.
Vi que as pessoas envelhecem, adoecem... e a gente precisa se desprender delas, para que não sofram ao partir, mas isso não quer dizer que devemos parar de dar carinho à elas, precisamos apenas aceitar o ciclo da vida: Nascer, crescer, aprender e morrer. E que devemos ser otimistas, mas sem deixar a realidade de lado, devemos pensar em como lidar com uma situação se o pior acontecer, para que não sejamos surpreendidos/abalados.
Aprendi, na marra, que é preciso crescer. O mundo é cruel demais para que uma criança possa ser feliz vivendo nele por si só. Apenas os adultos podem passar por tantas coisas injustas e seguir sorrindo, compreendendo, evoluindo e devem ajudar as crianças a compreender isso e guiá-las por esses caminhos, assim como as crianças ajudam os adultos a se manterem crianças por dentro.
Confirmei que expor sentimentos alivia meus problemas físicos; que não posso cultivar nenhum sofrimento porque tenho a mania de não querer me mexer quando sofro; que o que vem fácil, vai fácil e isso não me agrada nem um pouco; que pessoas incríveis passam por nós todos os dias e não é preciso esforço algum para que entrem em nossas vidas; que felicidade é a maior lei da vida, mas ser feliz é merecimento e é preciso sofrer e provar para o universo o quanto sou digna de coisas boas para então recebê-las.
Porque, na vida, tudo é assim: um tapa e um sopro. E o tapa costuma vir primeiro.