quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

.

Estão falando em colocá-lo para dormir, como fazem com os doentes nos filmes.
Porque chega uma hora em que os remédios para as dores vão deixando de fazer efeito, aí é hora de fazê-lo dormir, até que um dia ele durma para sempre, por conta própria.

Foi rápido, não foi? Há um ano atrás estava aí, fazendo tudo que tinha para ser feito. Há (menos do) oito meses atrás era só uma dorzinha. Há quatro meses atrás a 'melhora', as vezes, mandava uma lembrança.

Agora... Agora estão falando em fechar os olhos azuis que eu tanto amo para sempre, em nunca mais vê-los brilhar ou deixar escapar um pingo de felicidade
Estão falando em nos deixar em volta da maca esperando que seja livre.
Estão falando no momento final.

Se adianta de uma coisa: eu estou pronta se você também estiver.
Porque eu sei que você nunca vai me abandonar. Dizem que é assim mesmo, que as pessoas que amamos são onipresentes. Eu acho que acredito...

Acredito! Acredito porque sempre vou dar uma risadinha abafada quando lembrar da sua voz dizendo "bonequinha linda do ". Acredito porque o carinho sempre vai ser maior no natal. Acredito porque vou revirar os olhos toda vez que lembrar das suas trapalhadas. Acredito porque vou andar mais rápido na rua toda vez que eu lembrar que precisava correr para acompanhar seu ritmo. Acredito porque, ainda que escondam o brilho dos olhos, nunca poderão esconder o brilho que ficou no coração.

Não se fecha o brilho do coração. Nem se prende. Nem se esconde.
Mesmo quando formos outras pessoas, outros rostos, outros corpos, outros nomes... ainda estará brilhando.