domingo, 21 de março de 2010

Saudade.

Tem uma frase (bem clichê, diga-se de passagem) que diz que 'a saudade é a maior prova de que o passado valeu a pena'. Claro, né? Ninguém sente falta daquilo que não fez bem, que machucou, que chateou, que te fez sentir ódio e por aí vai.

A saudade é o sentimento ruim que surge após nossas melhores sensações e não adianta tentar se consolar dizendo: "Tudo bem, estou sentindo essa pontada estúpida no peito porque tive algo bom".
Isso não consola. Nunca. Saber que a dor de hoje é fruto do prazer de ontem não adianta nada.

Eu tenho uma teoria (me desculpe se ela parecer meio falha e mal pensada porque ela chegou em minha mente em segundos, assim como quem não quer nada) : A saudade é uma espécie de lembrete. É, ela nos atinge simplesmente para nos mostrar aquilo que nós sabemos e escondemos de nós mesmos o tempo todo. A saudade aparece para que a gente não se esqueça que até mesmo as coisas mais doces da vida podem (e vão) nos machucar um dia e a gente tem que aceitar isso! Tem que levantar de cabeça erguida todos os dias e continuar lutando com determinação, independente da situação.

Tão tristes seríamos se tudo fosse sempre tão doce, tão gentil, tão feliz. Tão tristes seríamos se tudo fosse risos, abraços, carinhos e beijinhos. Porque ninguém deseja o céu se não temer o inferno.

A saudade nos lembra que tudo tem um defeito. Não é pessimismo pensar assim: esse é o modo como a vida opera.
A questão é: A gente aceita esse defeito? A gente consegue conviver com os defeitos? Vale a pena aceitar todos os defeitos? Vale a pena sofrer com os defeitos? A gente tem que se acostumar com os defeitos? É possível eliminá-los?

E mesmo (eu) pensando que no fundo, no fundo, a saudade é uma coisa boa... mesmo sendo uma coisa boa ela não deixa de doer.