terça-feira, 8 de junho de 2010

S.

"Eu queria gostar dele...". Foi desse jeito, em frente a minha melhor amiga, que eu assumi isso para eu mesma. Eu queria, mais do que qualquer coisa, gostar dele.

Ele tem o corpo perfeito, pelo menos aos meus olhos. Ele tem aqueles olhos esverdeados, cansados e com algum ar de maturidade; tem aquele formato másculo de rosto, queixo forte; ele tem aqueles cabelos meio castanhos, meio loiros... não gosto de sua boca. Ele é quente e eu não estou falando no sentido sexual da coisa, ainda; talvez seja pela grande quantidade de pêlos, talvez seja natural de sua pele... o fato é que ele é quente e eu sou gelada. Ele passa seus braços fortes pela minha cintura razoavelmente fina de maneira envolvente.
Ele é bonito. Ele é inteligente. Ele é simpático. Ele é carinhoso. Ele tem um belo sorriso. Ele cheira bem. Ele é educado. Ele se esforça. Ele me trata bem. Ele faz eu me sentir bonita. A voz dele é encantadora quando sente prazer.

Eu queria conseguir adormecer em seu peito, envolvida por seus braços e quando dormisse sozinha, queria pensar nele, sonhar com ele. Queria ficar ansiosa ao ouvir o telefone tocar desejando que fosse ele quem estivesse ligando. Queria sentir um frio na barriga quando fazem todas aquelas piadinhas sobre nós, dizer que não tem nada a ver e fazer de tudo para parecer o mais natural possível. Queria querer mais do que momentos íntimos, queria desejar seus abraços. Queria querer mostrar a ele quem sou, deixá-lo me conhecer a fundo.

Porque eu tenho quase certeza de que ele gostaria e que nos daríamos muito bem juntos e seríamos felizes e apaixonados.
Mas quando deito de frente com ele não é só meu corpo que é gelado. Quando o vejo deitado olhando para mim, buscando palavras, tudo o que eu consigo pensar é que, embora ele seja muito bom pra mim (em qualquer sentido que você quiser), ele não é a pessoa com a qual eu realmente queria estar ali, aquela que faria eu sentir o coração explodir.

Eu queria gostar dele...