Eu estava me formando no Ensino Fundamental, tive crises de nervos e ataque de choro por não ter conseguido entrar na Escola Técnica, na Federal ou no Liceu de Artes e Ofícios... estava bravíssima por ter escolhido um cursinho preparatório ao invés da viagem de formatura e, mais ainda, por ter de fazer o Ensino Médio em uma escola pública.
Eu não tinha muita noção das coisas, julgava sem saber. Achava tudo uma merda. Não sentia vontade de colocar os pés na rua na sexta-feira a noite. Minha vida eram meus cadernos e computador, tudo estava alí... todos os meus segredos, vontades e 'satisfações'.
Eu achava que um dia a vida ia pular na minha frente e faria de mim uma pessoa diferente, melhor. Sabe, assim? Alguém ia me oferecer um emprego maravilhoso, um garoto lindo por dentro e por fora pensaria o mesmo de mim e, com um ou dois palitos alterados na história, eu estaria garantida por toda a vida...
Estamos em julho de 2010
Eu não sei bem em que dia de 2007 as coisas tomaram um rumo diferente e eu passei a sair, a experimentar o mundo e, de repente, tudo fez sentido. Tudo o que os adultos sempre dizem sobre aproveitar enquanto somos jovens e não temos outra responsabilidade além da escola.
Vieram os shows, as baladas, as bebidas, os caminhos tortos.... e eu acabei aqui, em 2010.
Sabe, eu poderia jurar que, a essa altura do campeonato, minha história estaria praticamente traçada....
Daqui a um mês (exatamente) eu estarei indo para a minha primeira aula da faculdade, que não tem nada a ver com o que eu estava convicta a fazer naquela época. E se eu achava uma merda, hoje acho tudo medonho. Tenho vontade de esquecer de mim todos os fins de semana e minha vida não se preenche mais naquelas folhas em branco, embora possa ser aliviada. Minha vida vai muito além da vontade de ser descoberta.
Eu sei que já falei isso milhares de vezes, mas me assusta cada vez mais crescer, o modo bruto como nós mudamos os caminhos que trilhamos.
A vida é mesmo aleatória, se foi divertido hoje já não faz sentido e nossos impulsos vitais vão ficando cada vez mais fortes a medida que nosso coração vai se expandindo em nossa essência.
A gente perde aquela crueldade infantil em algum lugar e aprende a sorrir de tudo o que puder e começa a ter que juntar as responsabilidades com as necessidades e vontades e sem se perder nisso tudo.
Aprendi a apreciar (ainda mais) o pôr-do-sol pela janela do meu quarto e fazer dele um ritual sagrado sempre, onde não me é permitido pensar em nada. E quando ele dá espaço para a noite, eu sempre me pego dizendo assustada: já se passaram tantos anos!
Sabe, eu poderia jurar que, a essa altura do campeonato, minha história estaria praticamente traçada....
Daqui a um mês (exatamente) eu estarei indo para a minha primeira aula da faculdade, que não tem nada a ver com o que eu estava convicta a fazer naquela época. E se eu achava uma merda, hoje acho tudo medonho. Tenho vontade de esquecer de mim todos os fins de semana e minha vida não se preenche mais naquelas folhas em branco, embora possa ser aliviada. Minha vida vai muito além da vontade de ser descoberta.
Eu sei que já falei isso milhares de vezes, mas me assusta cada vez mais crescer, o modo bruto como nós mudamos os caminhos que trilhamos.
A vida é mesmo aleatória, se foi divertido hoje já não faz sentido e nossos impulsos vitais vão ficando cada vez mais fortes a medida que nosso coração vai se expandindo em nossa essência.
A gente perde aquela crueldade infantil em algum lugar e aprende a sorrir de tudo o que puder e começa a ter que juntar as responsabilidades com as necessidades e vontades e sem se perder nisso tudo.
Aprendi a apreciar (ainda mais) o pôr-do-sol pela janela do meu quarto e fazer dele um ritual sagrado sempre, onde não me é permitido pensar em nada. E quando ele dá espaço para a noite, eu sempre me pego dizendo assustada: já se passaram tantos anos!