Já escutei por muitas vezes que sou terrivelmente malvada e preciso admitir que sou mesmo. Sei bem que essa maldade é inata da minha pessoa, fruto do meu excesso de sinceridade, meu amor à verdade, minha mania de expor em palavras claras minha opinião, doa a quem doer... Mas também foi aprimorada com os anos, com os comentários maldosos que faziam sobre mim, com tudo que a vida me atirou. É, tudo funciona assim, quanto mais você vive, mais você endurece e um dia vai lutar para amolecer de novo.
Também já ouvi que sou totalmente boazinha, banhada em carinho e quando tento lhes avisar que eu sei bem ser malvada, que tenho minhas próprias garras, as pessoas parecem descrentes. Muito me irrita que não acreditem em mim quando digo isso, não que eu não acho legal ter uma imagem boa, mas se eu estou dizendo que sou ruim, é porque sou, então desacreditar nisso é como não acreditar em mim.
Mas ontem acreditaram em mim, com aparente relutância e um pouco de medo. Daí então, pela primeira vez senti um aperto no coração, porque eu queria ser perfeita para aquela pessoa e a maldade que diverte muita gente por aí não parecia estar inclusa no pacote de perfeição dele. Não que seja uma pessoa influente/presente na minha vida, não é... mas eu queria e senti o medo crescer em mim, medo de que ele se afaste... Mas o que eu poderia fazer? É a verdade, eu sou assim, e esconder isso seria como mentir sobre a minha personalidade. E aqui estou: dura, tensa, medrosa. Eu quero, quero muito sentar um dia na mesa de um bar com ele e ter qualquer conversa tão boba quanto as que, lentamente, estou me habituando a ter com ele à distância... Assim dessa maneira inocente, delicada, com quê de brincadeira.
"You will find her mind's kinda poisoned, you will find her blood's like ice."