quarta-feira, 29 de abril de 2009

"Os olhos gulosos de quem quer me despir..."

Eu não sei porque estava absorvendo cada detalhe daquele garoto, nem mesmo sei porque havia deixado que as coisas tomassem o caminho que deixou, aliás, não sei de onde veio essa minha nova mania de ser tão espontânea, de não hesitar.
Mas isso não importa, meu olhar devorava cada centímetro daquele rosto, daquele corpo. E para que eu pudesse falar qualquer frase com algum sentido, eu precisaria parar a minha 'tarefa', coisa que eu não estava disposta a fazer. Estava entretida observando as mechas lisas e com cor de trigo de seus cabelos, a espessura da pele, o formato do sorriso, a mão incrivelmente máscula, os pêlos do braço, a tentativa de expressão vazia... Observação completa, concluí algo o quê não havia notado nas outras vezes: Belo.
Ele sorriu como se estivesse lido toda a observação que eu fiz. Não foi preciso utilizar palavras ou gestos notáveis aos olhares dos amigos a nossa volta, apenas dois pequenos movimentos faciais, meu meio-sorriso-meio-biquinho em sincronia com as sobrancelhas levemente levantadas dele. Eu me aproximei, ele colocou uma das mãos no meio dos meus cabelos e nos beijamos. Para minha surpresa 'não havia' uma única gota de desejo alí. Era um beijo calmo, tranquilo, lento. Coloquei minhas mãos em sua blusa, tentei aproximá-lo de mim, não estou acostumada com a falta de contato. Ele deu um passo pequeno, lento e inseguro. Tudo que aqueles olhos-de-vidro diziam apenas escondiam 'ele'. Insegurança era a última coisa que eu queria que alguém sentisse ao me beijar.
Soltei sua roupa, me afastei e deixei meus braços caírem. Ele partiu.

E cada detalhe de sua aparência que colhi, agora me parece estúpido, porque insistem em me mostrar alguém que não existe, ele não é assim.


e 70% desse post é uma mentira.