Estava eu do lado de fora da catraca da estação de metrô do meu bairro vizinho, conversando com uma amiga, esperando outras duas quando vi alguém de aparência agradável no final da estação. Continuei olhando, parecia alguém. À medida que ele se aproximava da catraca, eu podia notar mais e mais coisas em sua pessoa. Primeiro, as roupas casuais que lhe davam um ar de elegância, depois a pele clara aparentemente gelada, os cabelos castanhos lisos, agora um pouco abaixo dos ombros e então, quando ele estava atravessando a catraca, os olhos de esmeralda.
Oh, Meu Deus! O meu estranho, ali. Sempre aparecendo quando eu já me conformei com a ideia de nunca mais vê-lo na vida, quando não estou pensando nele, como se fosse um pedido. Não me deixe. Respirei fundo, ele também olhava para mim esse tempo todo, me reconheceu. Dãr, você deve estar pensando: "O que tem de 'mais' ele ter te reconhecido, se vocês se viam com uma frequência (que durou poucos dias)?". Pois devo contar que nesse tempo mudei o cabelo, como se não bastasse, ele sempre me via de óculos (e dessa vez eu estava com lentes de contato), também não usava aquele uniforme esquisito nem uma maquiagem mal feita. Estava arrumada para diversão e não estudos. Pode parecer bobo para você, mas fiquei feliz de ter pensado na possibilidade dele ter gravado os meus traços específicos e não a minha imagem geral.
Ele passou por mim me olhando, eu olhava para ele... Tentei continuar falando com a Marina, mas as palavras se perderam e eu fiquei em silêncio. Olhei para trás quando ele terminou de passar, e só então pude dizer algo que fizesse sentido naquele momento, mesmo que não tivesse nada a ver com o assunto inicial da conversa:
- Lembra do garoto do metrô que eu sempre falava no ano passado? É ele...