Voltar da escola é sem dúvidas uma das melhores partes do meu dia. É entrar no ônibus, sentar em qualquer banco, achar a melhor posição e tirar uns minutos de cochilo até em casa.
O balanço do ônibus as vezes me faz acordar e coincidiu naquela vez de, ao acordar, a música acabar. A mulher ao meu lado falava no celular e, no intervalo entre uma música e outra, pude ouvi-la dizer, com a voz mais suave que já ouvi:
- E como é que eu faço para te dar um beijo agora?
Soltei um riso abafado com pouco humor e muito inveja. Humor porque acho extremamente brega essas frases prontas que todo casal fala e o outro reage como se nunca tivesse escutado nada parecido e inveja por o problema dela ser apenas a distância física. Quando ela quiser, pode achar um horário no dia dela para ver a pessoa desejada e dar um monte de beijinhos. A possibilidade de ver a pessoa querida no terminal lotado, o 'oi' comum, o sorriso que apenas é uma reação habitual ao encontrar um conhecido sem qualquer valor... Essas coisas não têm o menor valor para ela, porque ela tem muito mais do que eu.