Ela sabia que corria o risco disso acontecer. Afinal, ela é uma garota impulsiva.
Acordou as 7hrs da manhã naquela sexta-feira nublada, típica da cidade de São Paulo quando o inverno se aproxima. Apesar do frio, não exitou em sair de baixo das cobertas ou tirar as roupas e se enfiar no chuveiro. Tomou banho como se fosse a noiva do dia.
Escolheu a roupa com cuidado e se maquiou da melhor forma que pôde. Colocou a bolsa preta no ombro e saiu de casa.
Na rua, garoava. Era o clima perfeito. Entrou no ônibus, 15 minutos, desceu. Entrou no metrô, 20 minutos, desceu. Entrou em outro ônibus, pouco menos de meia hora, desceu no enorme terminal.
De um lado, o estacionamento cheio de plantas e árvores, do outro, as grandes entradas do aeroporto. Entrou, com um pouco de receio...
Fones nos ouvidos: suas músicas, seus pensamentos, seu mundo.
Sentou em um dos bancos do Saguão e ficou lá, observando as pessoas sairem daquela parede com suas malas, procurando algum conhecido com os olhos... daí então sorriam, caminhavam de pressa e logo estavam abraçadas com as pessoas que as esperavam.
Sentiu o estômago se torcer e se esticar centenas e centenas de vezes, e mais cem vezes! Mas aquela... aquela não era a sensação que procurava alí, não naquele dia.
Entrou no elevador, desceu. Tinha uma vaga lembrança do caminho e o fez, com seu jeito tímido e até meio torto. Encontrou o banco, o banco da hora do último beijo. Sentou alí, de cabeça baixa na tentativa inútil de se esconder entre os cabelos. Enquanto fitava os pés, sentiu a pele empalidecer, a vista embaçar. Estava perto da sensação... Era a hora!
Em passos trôpegos chegou naquele cantinho. Cruzou os braços embaixo do peito e os apoiou no peitoril da janela. Encostou a testa no vidro para ter uma visão melhor dos aviões.
Quantas pessoas chegando, quantas pessoas partindo! Quanta gente se encontrando, quanta gente se despedindo!
Em algum lugar, por entre os aviões, a garoa e o céu nublado... em algum lugar estava ela, a desejada sensação. As horas que alí foram passadas anteriormente vieram em um flash.
A sensação resolveu agir. Vieram as lágrimas, os soluços, a solidão... e não queria mais nada além daquela sensação.
... sem você desembarcar, pra eu te dar a mão nessa hora...".
*meio ficção, meio real... afinal: "é claro que está acontecendo em sua mente, mas isso não quer dizer que não é real."