Eu deixei o medo tomar conta de mim, junto com a culpa, a frustração... Eu deixei que todos os meus monstrinhos interiores (aqueles que todos nós temos) exercerem suas funções e, uau, eles são bons! Tão bons que esqueci do meu valor. Esqueci que mereço muita coisa boa e que tenho grande chance de ter um futuro maravilhoso.
Mas no sábado, voltando pra casa de metrô, um garoto de aparência bem agradável olhava para mim com um certo interesse. Me encolhi, como se quisesse me esconder.
Há muito tempo não percebia ninguém olhando para mim, talvez porque estivesse fechada demais nos meus próprios pensamentos, talvez porque meus monstrinhos insistiam em gritar que eu não valho a pena.
Quando ele olhou pra mim, eu olhei junto com ele. Daí eu vi a garota em que eu já não acreditava mais.
Vi a garota que ouve os problemas de qualquer pessoa pacientemente e se preocupa em fazer algo para ajudar. Vi a garota independente, que pensa no futuro, que tem um ótimo 'nível' de bom senso, que passa por um problema sorrindo, fazendo piadas...
Vi a pessoa que eu sempre gostei, sempre quis ser e sempre fui. Disse baixinho duas ou três vezes: Todo esse brilho é só seu.
Percebi que não tinha o menor problema reconhecer minhas qualidades. Isso não faz de mim uma pessoa metida.
No sábado não tive dificuldade para dormir. Sonhei com o garoto do metrô, meu salvador. Acordei ainda com sono, mas sorrindo, feliz.