quarta-feira, 12 de maio de 2010

Only gonna break your heart.

Frio.
Aconchegante. Horas se arrastando no tempo. Diversão. Planos. Risadas.

Esperando uma confirmação.
Confirmação trocada por decepção. Sensação de traição. O frio, antes aconchegante, faz o corpo tremer como se estivesse nu. A respiração pesada. Os sons estranhos vindos da boca fechada.


O chão do banheiro, tão gelado quanto o corpo que ali se encolhe. As lágrimas, os soluços e a estranha mania de se perguntar "Por quê?".

O espelho refletindo olhos vermelhos borrados de maquiagem em cor preta. O rosto queimando. A cabeça virando para os lados lentamente, negativamente. A mente gritando "Eu te disse".

A raiva e a força concentradas na mão direita, mão que soca a parede.
Pela primeira vez eu soube como é odiar alguém que não pode ser odiado.
Pela primeira vez eu soube como é ter a vontade de jogar todas as coisas na parede, para que todas se quebrem, como você.
Pela primeira vez eu soube como é ter a vontade de enfiar o punho bem fechado no nariz de alguém para que esse alguém pareça torto, como você.

Pela primeira vez eu quis aquele abraço quente que nos permite ser frágil, que nos permite repousar a cabeça no colo, que nos alisa os cabelos, que fala suavemente "shhh... vai ficar tudo bem" em nosso ouvido enquanto choramos.
Pela primeira vez eu me senti criança, queria minha mãe.