Nos momentos em que estou livre de sentimentos fortes (ódio ou felicidade fora do normal) quando penso em minha família, penso mesmo que sou uma garota de sorte. Definitivamente, há uma energia muito forte que cuida de mim.
Minha família é ótima. Nossos gostos são muito diferentes, todos temos gênios fortes, nossas opniões muitas vezes são contrárias, etc. Mas estamos sempre respeitando um ao outro, nossas vontades, dando apoio, estamos sempre juntos e sabemos que podemos contar um com o outro (podemos até preferir outras ajudas, mas sabemos que se precisarmos, estaremo 'lá' um para o outro).
Por isso, quando penso no natal, não consigo pensar naquela coisa capitalista, falsa ou qualquer outro desses clichês que dizem por aí. Penso no Natal como o passo com a minha família: feliz, engraçado, rápido, gostoso. Não penso nos presentes que ganho, na comida, em bebidas... penso em todos nós rezando de mãos dadas voltados ao presépio, montado todo ano no quintal de minha avó (tirando meus pais, meu irmão e eu, minha família toda é muito católica), penso nos meus primos fazendo piadas sobra a masculinidade um do outro, nas crianças brincando todas juntas, em como admiramos o quanto nossos primos paranaenses estão mais bonitos que da última vez que nos vimos, em todos nós pulando na cama elástica, liberando nossas crianças interiores, enfim, aquela reunião que gostaríamos de fazer todos os fins de semana e não fazemos porque estão cada um em um canto trabalhando.
Aí, poderiamos perguntar: Se são tão bons e não-capitalistas assim, porque não doam as comidas e presentas para pessoas que realmente precisam? Que realmente vão dá valor a tudo isso? Porque nós fazemos isso o ano inteiro, não apenas no natal e fazemos porque sabemos o que é precisar de algo. Sim, eu sempre tive tudo (na medida do possível) que eu queria, mas posso ver o modo como minha avó lembra de sua infância ou como minha mãe conta de seu pai chegando bêbado em casa. Nós ajudamos quando essa necessidade vem a nós (e não são poucas as vezes), quando queremos e não em uma data específica.
E pra mim, esse é o sentido do Natal, doar o que você tem de melhor quando você achar que deve ser doado. A data 25 de Dezembro é simplesmente um lembrete, uma comemoração as suas doações.
E doações não são dinheiro, comida, presentes... e sim aquele sorriso sincero a um desconhecido, um abraço, um elogio, uma mão para se apoiar, um conselho, ouvir algo quieto... todas aquelas coisas simples que liberam energias imensas... isso sim é Natal.