sábado, 20 de dezembro de 2008

Set Me Free

Acordei meio atordoada naquele dia, sem lembrar o que havia sonhado (raramente me lembro do que eu sonhei, uma pena, porque os que eu consigo lembrar costumam ser bons). No relógio, 5:45, estava bem atrasada.
Me vesti correndo, me maquiei de qualquer jeito e corrí para o ponto de ônibus. O uniforme do colégio é bem confortável (desde que você não tenha vestido a calça bailarina), a mochila inclina minhas costas para trás me forçando a ficar com as costas retas, (coisa que eu deveria fazer naturalmente) e os fones no ouvido, música sempre me transporta para um mundo de pensamentos que, quando eu saio, não me lembro com clareza no que pensava. Mas desse dia eu lembro e lembro muito bem, diga-se de passagem.
Eu estava pensando sobre
o que eu queria para minha vida. Não para o futuro, eu sempre penso no futuro, consciente ou incoscientemente. Estava pensando no que eu queria para o presente. Pensar sobre o presente é perigoso, principalmente quando se tem um notas para recuperar na escola, alguns desentendimentos em casa, falta de tempo com os amigos, algumas saudades doídas e... um 'amor' até então esquecido (qualquer pessoa pode perceber que amor é o que eu mais escrevo, eu escrevo quando sinto a necessidade de organhizar algo, talvez 'amor' na minha vida seja uma total bagunça!).
Pensei naquela pessoa que mexia comigo e nesse dia percebi que ainda mexe e, há não muitas semanas atrás, vi que vai continuar mexendo por um bom tempo. Aconteceram muitas coisas entre a gente esse ano, ainda que indiretamente. Contei a alguns bons amigos tudo nos mais íntimos detalhes e eles me fizeram acreditar que tudo o que ele fez por mim foi muito fofo (menos o César, ele sempre dá um jeito de jogar na minha cara o quanto eu sou ingênua. Eu tento não me abalar, mas no fundo eu sempre concordo com ele). É, bem fofo mesmo não querer me magoar. Fui pensando nessa tal 'fofisse' quando senti um estálo mental. Eu não quero essa fofuuura toda, quer dizer, adoraria ter aquele alguém me tratando fofamente (?) todos os dias, mas já que não é possível vi que essa vontade tinha se transformado. Naquele momento vi que tudo que eu queria, no que se diz respeito ao amor, era sentí-lo (no sentido mais íntimo da palavra) ao menos uma vez. Ele não precisaria me ligar no dia seguinte, dizer o quanto 'gostou', me procurar... nada. Eu só queria um momento para tornar eterno. E, pela primeira vez, eu tinha certeza de que seria tão lindo quanto tudo que eu imaginava afinal, só a presença dele já me preenche.
Quando meus pensamentos se fecharam nisso, percebi que eu já havia entrado no ônibus, descido, subido as escadas do metrô, tinha encostado no meu cantinho 'de sempre' no metrô, as oito estações já tinham se passado... eu estava atravessando a avenida quando o sinal da escola tocou.
Se eu pudesse sentí-lo uma única vez, teria uma corrente a menos em meu coração.

"Eu daria tudo pra tocar você, tudo pra te amar uma vez. Já me conformei, vivo de imaginação, só não posso mais esconder que eu tenho inveja do sol que pode te aquecer, eu tenho inveja do vento que te toca, tenho ciúme de quem pode amar você, quem pode ter você pra sempre".